Aviso COVID-19 : A loja online continua a funcionar normalmente. As entregas para fora de Portugal Continental poderão sofrer alguns atrasos dependendo das politicas de segurança impostas por cada país.

004


Um novo Apontamento sai todos os Domingos à noite. Podem ver nas Stories e Posts do Instagram ou aqui no blog.

Utrecht

Com os miúdos só viajámos uma vez de avião. Foi o ano passado e fomos para Utrecht nos Países Baixos.
A viagem e principalmente antecipação da viagem foi a excitação total. Lembro-me da primeira vez que viajei de avião e embora aquilo pareça um autocarro com asas não deixa de ser uma experiência incrível e imaginar isso na cabeça de uma criança...
Para primeira viagem não podíamos ter escolhido melhor. Utrecht é uma cidade pequena e ainda por cima ficámos em casa de amigos o que torna tudo muito melhor e mais fácil. Havia bicicletas para todos e andávamos nelas para todo lado. O António ia comigo na cadeirinha e a Amélia ia numa espécie de atrelado, uma coisa tipo meia bicicleta só com a parte trás, presa à bicicleta da nossa amiga Sílvia ( loucura total! )
Acho que o que mais gostaram foi de andar de bicicleta para todo o lado.
Eu gosto de cidades pequenas sinto que há uma vida mais real, que não há urgência de querer viver tudo ao mesmo tempo. Utrecht é uma cidade assim, muito bonita cheia de canais, com bons sítios para se comer, com o museu da Miffy e com muitos parquinhos para parar e descansar um bocadinho.
Também aproveitámos para apanhar o comboio ir dar um passeio a Amesterdão que é muito perto. Agora, com crianças, conheci uma Amesterdão diferente, uma camada diferente desta cidade e gostei muito mais desta camada. A nossa próxima viagem será também para uma cidade pequena, Bordéus.
É pena que lá não morem amigos...
No fim, a pergunta que se impõe:
- Meninos, de tudo o que viram, o que é que mais gostaram da viagem?
- Da banheira na casa da Sílvia!! , diz o António

>>> UTRECHT
 

Forno do Beco

Gosto de pão. Não sei se no século XXI ainda se pode dizer isso. Parece que de repente um alimento primordial passou a ser a causa de todos os males. Percebo que a qualidade actual em nada se compara ao passado e que isso faça toda a diferença. Mas que há pão muito bom, há. E continua a haver quem o saiba fazer bem, sem fermento químico de fermentação rápida e com uma curiosidade e um saber que permitem, por um lado recuperar receitas antigas e por outro apresentá-las de novo.
Eu, se pudesse seria como o Conde de Sandwich e alimentava-me apenas de sanduíches.
É o tipo de comida que permite combinações infindáveis e que aquilo que poderia ser o denominador comum, o pão, mesmo assim pode ter imensas variáveis.
Outro dia o Paulo do Forno do Beco deu-me a provar um pão papo seco, uma mistura de trigo e milho, pelos vistos algo que se fazia aqui numa padaria há vários anos. Tenho uma vaga ideia dessa padaria, mas com aquela memória turva de quem a visitava apenas nas madrugadas pós-festa.
No dia seguinte, voltei ao Forno do Beco e fui lá buscar mais pão para fazer sanduíches.

>>> FORNO DO BECO 
 

Melanie Abrantes

O meu pai trabalhava no Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra. Naquela altura em que os miúdos tinham aulas só de manhã e que ficavam a tarde toda nos empregos dos pais a fazer o que bem lhes apetecia, eu explorava todos os recantos deste e dos outros departamentos das faculdades. Explorava o Museu de Zoologia, o Museu de Mineralogia, passeava no Departamento de Física, de Química e ia a cada uma das cantinas das faculdades, brincava com o meu skate, jogava às escondidas com outros filhos de funcionários, mas onde eu adorava ir era às oficinas da engenharia mecânica onde havia gigantescos tornos mecânicos onde se faziam peças a partir de grandes blocos metálicos com uma precisão incrível. 
Nunca trabalhei com nenhum torno mecânico mas gosto de ver os trabalhos resultantes desse processo. Há imensa gente a fazer coisas fantásticas a partir de grandes blocos de matéria quer seja metal, pedra, madeira ou até cortiça.
Descobri há uns tempos a Melanie Abrantes, ela faz muitas coisas mas talvez o que gosto mais sejam as peças em cortiça, aquela cortiça mais crua com menos tratamento.
Não sou o maior fã da cortiça ( perdoem-me ) mas de vez em quando encontro trabalhos que são realmente bonitos e onde se tira partido da textura desta matéria e principalmente da conjugação com outros materiais.

>>> MELANIE ABRANTES